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Junho do Orgulho reforça luta por igualdade no setor bancário

Minuta será apresentada na Conferência Nacional dos Bancários, incluindo medidas voltadas ao combate à discriminação e ao fortalecimento das políticas de inclusão

Junho, mês do orgulho LGBTQIAPN+, é um período de visibilidade, afirmação de direitos e mobilização por igualdade de oportunidades. No setor bancário, a pauta ganhará destaque nas negociações com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) durante a Campanha Nacional Unificada deste ano, e o Rio Grande do Sul levará novas propostas e atualizações para a mesa de Igualdade de Oportunidades, buscando ampliar a proteção e o reconhecimento da população LGBTQIAPN+ nas relações de trabalho.

A minuta que será apresentada na Conferência Nacional dos Bancários, na próxima semana, inclui medidas voltadas ao combate à discriminação, ao fortalecimento das políticas de inclusão e ao reconhecimento da identidade de gênero e orientação sexual nos ambientes de trabalho. O objetivo é consolidar avanços e ampliar garantias para bancárias e bancários LGBTQIAPN+.

“Vamos batalhar especialmente pelo espaço das pessoas trans e travestis, como banheiros especiais”, afirma o diretor de Diversidade do SindBancários, Sandro Rodrigues. Outro ponto importante é uma atualização sobre as relações plurais. “As famílias plurais devem receber todos os benefícios concedidos pela instituição, considerando-se para os efeitos legais a mesma condição de cônjuges”, defende.

Avanços já conquistados na categoria

A Convenção Coletiva de Trabalho dos Bancários é reconhecida por incorporar cláusulas relacionadas à diversidade e à igualdade de oportunidades. Nos últimos 15 anos, a categoria conquistou avanços importantes, como a ampliação do debate sobre diversidade nas instituições financeiras, políticas de prevenção à discriminação e o reconhecimento de direitos ligados à identidade de gênero e à orientação sexual.

Nas mesas de Igualdade de Oportunidades, representantes dos trabalhadores também cobram maior transparência dos bancos na apresentação de dados sobre diversidade, defendendo o acompanhamento efetivo das políticas de inclusão no setor.

Participação no encontro LGBTQIA+ da CUT

Nos dias 4, 5 e 6 de junho, o SindBancários participou do Encontro LGBTQIA+ da CUT, espaço que reuniu dirigentes sindicais e ativistas para debater estratégias de organização, combate à discriminação e fortalecimento das políticas de diversidade no mundo do trabalho. O encontro destacou a importância da atuação sindical para garantir direitos e ampliar a representatividade da população LGBTQIA+ nos espaços de decisão.

Durante a atividade, foram apresentados dados de uma pesquisa realizada pelo Banco Mundial em parceria com o Instituto Matizes, que evidenciam os impactos da discriminação contra a população LGBTQIA+ no mercado de trabalho. Segundo o levantamento, a exclusão dessa parcela da sociedade custa ao Brasil cerca de R$ 94,4 bilhões por ano, valor equivalente a 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB).

As perdas econômicas estão relacionadas principalmente ao desemprego, à informalidade, à inatividade econômica e às desigualdades salariais enfrentadas pela população LGBTQIA+. O estudo também aponta um impacto fiscal estimado em R$ 14,6 bilhões anuais, decorrente da redução da arrecadação tributária e do aumento dos gastos públicos associados à exclusão social.

Os dados revelam um cenário preocupante. A taxa de desemprego entre pessoas LGBTQIA+, principalmente pessoas trans e travestis, chega a 15,2%, praticamente o dobro da média nacional, de 7,7%. A informalidade atinge 46% dessa população. Entre 40% e 60% dos entrevistados afirmaram ter sofrido ou presenciado situações de discriminação no ambiente de trabalho, enquanto entre 40% e 70% disseram já ter ocultado sua identidade por medo de represálias.

A pesquisa também evidencia o cruzamento entre discriminação de gênero, orientação sexual e raça. Portanto, a questão da interseccionalidade é uma realidade na categoria bancária. Mulheres pretas LBTQIAPN+ registram perdas salariais de até 13%, enquanto mulheres trans negras enfrentam índices de desemprego que podem ser até três vezes superiores à média nacional.

Compromisso com igualdade de oportunidades

O SindBancários reafirma seu compromisso com a defesa da igualdade de oportunidades para a população LGBTQIAPN+, atuando tanto nas mesas de negociação quanto na organização sindical e na formação política da categoria. A entidade defende ambientes de trabalho livres de preconceito, respeito à diversidade e políticas efetivas de inclusão em todos os níveis do sistema financeiro.

Neste Junho do Orgulho, a mobilização no setor bancário reforça que a luta por direitos, reconhecimento e dignidade segue sendo uma pauta permanente da categoria.

Jornalista/Fonte

Imprensa SindBancários