Em 2024, a saúde mental foi a principal causa dos afastamentos na categoria bancária, segundo levantamento do Dieese, com base em informações da plataforma Smartlab, produzida com registros do INSS. No ano passado, as doenças mentais e comportamentais foram responsáveis por 55,9% dos afastamentos acidentários e por 51,8% dos afastamentos previdenciários de bancários do país. Em segundo lugar ficaram as doenças conhecidas como Lesões por Esforços Repetitivos (LER) ou Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT), responsáveis por 20,3% dos afastamentos acidentários e 15,2% dos afastamentos previdenciários na categoria no período.
O Dieese revela também que ocorreu um aumento significativo das doenças mentais no total de afastamentos de trabalhadores bancários. Em 2012, a LER/DORT era responsável por 48,90% dos afastamentos acidentários e por 22,10% dos afastamentos previdenciários, enquanto que as doenças mentais e comportamentais por 30,40% e 23,60% dos afastamentos acidentários e previdenciários, respectivamente.
Neste período, de 2012 e 2024, também avançou a participação da categoria bancária no total de afastamentos por doenças mentais e comportamentais nas atividades do Ramo Financeiro: de 12% para 25% nos casos de afastamentos acidentários; e de 2,2% para 3,3% nos casos de afastamentos previdenciários de todo o setor financeiro.
Em relação a todas as categorias do país, o setor bancário também se destaca, negativamente. Apesar de representar somente 0,8% do emprego formal no Brasil, a categoria respondeu por 2,81% dos 168,7 mil afastamentos acidentários que ocorreram em 2024.
“O crescimento de afastamentos por doenças de cunho mental entre bancárias e bancários não é coincidência, mas consequência da realidade de trabalho no setor financeiro, como temos denunciado reiteradamente nas mesas de negociação com os bancos”, explica o secretário-geral do SindBancários e secretário de Saúde da Contraf-CUT, Mauro Salles. “São os mecanismos por metas, cada vez mais abusivos, e que geram pressão exacerbada, com falta de apoio, que têm resultado nesses números alarmantes”, completa o dirigente.
A cobrança por soluções contra adoecimentos nos bancos será um dos temas da Negociação Nacional sobre Saúde Bancária, que ocorrerá na próxima segunda-feira (30), entre o Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), na capital paulista.
“O fenômeno de um ambiente de trabalho que adoece não pode ser normalizado e os trabalhadores bancários, organizados, seguem na linha de frente não só na luta por nós mesmos, mas pelas demais categoriais. Os nossos avanços são também avanços que servem de referência à toda a classe trabalhadora”, observa Salles.
Entre os avanços da categoria, obtidas em mesa de negociação sobre saúde laboral, estão a criação de um conjunto de cláusulas e que originaram o capítulo intitulado “Combate ao assédio moral, sexual e outras formas de violência no trabalho”, na renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), em 2024. O secretário revela que, depois de anos de luta, pela primeira vez, os bancos concordaram em incluir o termo assédio moral na CCT. “Essa inclusão ampliou o caminho para debater o tema com os bancos, resultando, por exemplo, na criação de canais de denúncias para coibir o assédio moral dentro das empresas”, conclui o secretário.
Contraf-CUT