No último dia 21 de março, a Fetrafi-RS e o SindBancários Porto Alegre e Região ajuizaram ação na Justiça do Trabalho sobre dívidas da Cassi (processo nº 0020262-49.2025.5.04.0004). A intenção é questionar na justiça o formato da cobrança da Cassi, direcionando ao Banco do Brasil (BB) o pagamento, já que era do banco o compromisso de reter o valor e repassar para a Cassi. Caso não seja esse o entendimento do Judiciário, a ação solicita que o BB seja responsável pela correção e juros do valor não recolhido do trabalhador, além da correção da base de cálculo que não distingue verbas trabalhistas de outras verbas pagas nos processos.
Todos os empregados do BB que receberam crédito através da Justiça do Trabalho ou de Comissão de Conciliação, de 2010 a 2023, foram notificados pela Cassi para pagarem as contribuições que deveriam ter sido recolhidas pelo banco. Embora a Fetrafi-RS e o SindBancários considerem que os valores são devidos, verificou-se que existe um erro de quem seja o verdadeiro devedor, já que o convênio previsto no estatuto da Cassi delega ao BB a responsabilidade pelo desconto dos valores devidos.
De acordo com o Jurídico das duas entidades sindicais, “o pedido liminar é no sentido de impedir que a Cassi efetue qualquer cobrança, enquanto não estiverem definidos os valores relacionados unicamente com as verbas salariais previstas no Estatuto e no Regulamento de Associados”.
A representante do RS na mesa de negociação com o BB e diretora da Fetrafi-RS, Priscila Aguirres, orienta que os colegas não façam adesão à cobrança da Cassi, em função dos fatores de ilegalidade identificados. A orientação é aguardar o julgamento da ação pela justiça.
“Nosso compromisso com a defesa dos trabalhadores é montar, ingressar com a ação e trabalhar para que seja feito da forma mais justa para todo mundo. Lembrando que a Cassi é nossa, e nós queremos garantir a sustentabilidade da Cassi, mas também a gente não pode prejudicar o associado com uma cobrança que tem muitas questões problemáticas”, afirma Priscila.
Confira aqui o vídeo em que Priscila traz o histórico do caso, detalhes da ação e orientações aos colegas.
A diretora da Fetrafi-RS e conselheiro deliberativa da Cassi, Cristiana Garbinatto, afirma que a ação judicial foi pensada e organizada de uma maneira que não prejudicasse o conjunto de associados do convênio. Segundo ela, o Banco do Brasil cometeu erro intencional, pois o convênio previa que o banco efetuasse os descontos na data em que as pessoas receberam as ações judiciais e repassassem a Cassi. O BB não fez sua parte porque, naquela época, tentou economizar, pois precisaria fazer o pagamento da parte patronal.
“Hoje, a nossa preocupação é não prejudicar os 30 mil associados que estão sendo cobrados e os outros 170 mil associados que não estão sendo cobrados, mas precisam dos recursos para a Cassi. A gente está cobrando o BB para que ele pague pelo erro cometido, mantendo assim a sustentabilidade da Cassi e garantindo direito a todos os 200 mil associados”, destacou.
Fetrafi-RS