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Assembleia pede explicações a Coutinho sobre venda da Banrisul Cartões

19/07/21
Assembleia pede explicações a Coutinho sobre venda da Banrisul Cartões

Depois de aprovar PEC 280 em votações confusas, Parlamento gaúcho quer saber sobre venda que envolve “controle acionário” de empresa pública

O conteúdo pouco claro da divulgação da diretoria do Banrisul sobre o fato relevante publicado na quarta-feira, 14/7, repercutiu na Assembleia Legislativa. Em nota, publicada às 8h59, da quinta-feira, 15/7, o parlamento gaúcho informa que quer ouvir o presidente do Banrisul para que “preste esclarecimentos aos deputados sobre esta ação que envolve o banco, cujo controle acionário é do Estado do Rio Grande do Sul”. (Leia aqui)

Na opinião do presidente do SindBancários, Luciano Fetzner, “esse movimento subterrâneo do Banco se trata de mais uma manobra do governo Leite, que busca privatizar ‘por dentro’ as empresas públicas estratégicas, para fingir estar cumprindo sua promessa de campanha de não privatizá-las. Esperamos que dessa vez a Assembleia Legislativa não permita mais essa afronta à confiança dos cidadãos do Estado por parte do governador.”

A nota da Assembleia Legislativa refere que o interesse às explicações do presidente do Banrisul partiu diretamente do presidente do parlamento, o deputado estadual Gabriel Souza (MDB). Como já referido pela direção do SindBancários, a fato relevante do banco é amplo por não detalhar a operação, o que levanta suspeitas sobre a intenção de privatização da Banrisul Cartões.

A Assembleia Legislativa foi protagonista em recente avanço no processo de privatização do Banrisul durante a votação em dois turnos da PEC 280/2019, de autoria do deputado estadual Sergio Turra (PP) e assinada por outros 24 deputados.

O primeiro tuno da votação foi marcado pela confusão na sessão de 25 de abril. Três votos ficaram sob suspeita. Em dois deles, ao menos, o presidente da Assembleia Legislativa, Gabriel Souza, computou votos de quem havia votado contra e que estava ausente da sessão. No final, o governo Leite obteve os 33 votos necessários (três quintos do parlamento) para aprovar a PEC em primeiro turno.

O esforço de Leite por ver o caminho facilitado para entregar Banrisul, Procergs e Corsan também foi marcado por irresponsabilidade. O governador chegou a extinguir o Programa de cores de bandeiras para conter a pandemia de Covid-19, atendendo ameaça de deputados da base governista. No segundo turno, em 25 de maio, o governo do estado conseguiu 35 votos e aprovou a PEC 280.

Fato relevante virou mistério

O fato relevante publicado pelo Banrisul já é visto como um mistério, como o comprova a chamada às falas da Assembleia Legislativa. E as explicações que o presidente do Banrisul deu à colunista Marta Sfredo, de Zero Hora, na edição desta quinta-feira, 15/7, não convenceram.

Coutinho chamou a operação envolvendo a Banrisul Cartões de “reforço do negócio”. E a comparou à operação realizada entre a Rio Grande Seguros, subsidiária do Banrisul e a Icatu. A operação deixou o Banrisul com 49,9% das ações, e a Icatu, com 50,1%.

O diretor de Comunicação do SindBancários e funcionário do Banrisul, Gilnei Nunes, discorda da comparação do presidente Claudio Coutinho com a operação da Rio Grande Seguros, quando, na ocasião, o banco entrou como “parceiro estratégico”.

“Neste caso da Banricard [Banrisul Cartões], há diferença em comparação a Rio Grande Seguros. Naquele caso, o banco entrou como parceiro estratégico com a Icatu, mas exigiu a gestão numa empresa privada. A Banricard é uma empresa pública. Ao ceder o controle acionário, estará privatizando”, alertou Gilnei.

Já chegou o valor esperado por Coutinho?

Alguns meses depois de ter sido anunciado pelo governador Eduardo Leite como o novo presidente do Banrisul, Claudio Coutinho foi submetido a uma sabatina em reunião extraordinária da Comissão de Finanças, Planejamento e Controle da Assembleia Legislativa, na tarde de 25 de abril de 2019.

Questionado por deputados sobre o futuro da Banrisul Cartões, Coutinho foi bem específico, muito mais detalhista, por sinal, do que o fato relevante publicado nesta semana. Ele disse: (Leia aqui)

“Mais uma questão que estamos nos debruçando sobre ela. A Banrisul Cartões tem 30% do RS. É espetacular. 50% dos depósitos a prazo é no Banrisul. Isso é inédito. Realmente é o banco do coração dos gaúchos. Isso eu reconheço. Estamos no meio da guerra fratricida no setor de adquirência. Eventual venda da Banrisul Cartões é uma decisão da diretoria do Banrisul. Nós, diretores e conselheiros, temos que ter lealdade na defesa dos interesses da empresa e dos acionistas. Vender a Banrisul Cartões ou um pedaço dela cria dificuldade na comunicação entre os sócios. Qualquer venda tem que ser em condições muito boas. Caso contrário, fica no banco. Se conseguir 30 vezes o lucro, é uma conversa. Se ficar no valor da Cielo, não. Não é só decisão minha, é do colegiado.”

Depois disso, veio o contrato com o J.P. Morgan, a PEC 280, fechamento de agências, demissões de colegas, aumento das metas, mais pressão, inclusive em tempos de pandemia.  Resta saber se o valor de 30 vezes o lucro da Banrisul Cartões será pago por algum interessado. O fato relevante nada revela sobre isso.

Fonte: Imprensa SindBancários





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