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Funcef ganha mais com juros do CredPlan que nos títulos de renda fixa

04/04/18
Funcef ganha mais com juros do CredPlan que nos títulos de renda fixa

 

Diretoria do fundo de pensão mantém taxas elevadas na linha de crédito aos participantes e resiste à adoção de regras mais acessíveis

O CredPlan é hoje o terceiro segmento de maior rentabilidade na Funcef. A fundação obtém mais resultado com os juros cobrados dos participantes nos empréstimos do que com títulos públicos, por exemplo. Com rendimento de 11,11% em 2017, o CredPlan só perde para a carteira de renda variável (15,12%) e para os investimentos estruturados, campeões de rentabilidade com 22,14% no ano passado. Abaixo dos empréstimos está a renda fixa, que rendeu apenas 8,91% no último ano e os imóveis, com 6,13%.

Tamanha rentabilidade dos empréstimos se deve às elevadas taxas de juros cobradas dos trabalhadores. Em fevereiro, após campanha realizada pela Fenae, a Funcef fez alterações nas regras do CredPlan e, entre outras medidas, baixou em 1p.p. a taxa de juros na linha variável, na mesma proporção em que já havia reduzido, em janeiro, a meta atuarial dos planos de benefícios. A opção de taxa fixa, por sua vez, tem prazo de até 48 meses, enquanto na linha variável o período pode chegar a 10 anos.

Conforto da renda fixa e juros altos nos empréstimos

Na avaliação da diretora de Saúde e Previdência da Fenae, Fabiana Matheus, as taxas do CredPlan continuam caras, inclusive a taxa de administração, quando comparada a outros fundos. Petros cobra 0,25%, a Previ cobra 0,1% em um de seus planos e 0,2% no outro, formando uma média de 0,15%. Valia não adota taxa de administração, embora tenha as taxas de juros mais altas. A Funcef, por sua vez, cobra 0,5%.

“Esse tipo de operação em fundos de pensão não existe para dar alta rentabilidade. A diretoria da Funcef foge da renda variável, fica no conforto dos títulos públicos e quer buscar resultados às custas do participante”, questiona Fabiana.

Todos os planos têm margem para ampliar a alocação de recursos no segmento de crédito. A legislação prevê o limite de 15%, no entanto, no REG/Replan Saldado, somente 2,8% dos recursos são destinados a esse segmento, enquanto no Não Saldado, apenas 1,5% dos ativos estão alocados no CredPlan. No REB, a proporção chega a 6% e no Novo Plano, a 6,4%.

Carência para quem paga equacionamento

Em fevereiro, a Fenae protocolou na Funcef ofício com proposta para adoção de carência de 24 meses no CredPlan para aqueles que estão pagando equacionamento. A análise técnica mostra que é viável conceder aos participantes um empréstimo com um prazo especial durante o qual as parcelas seriam compostas apenas pela amortização de juros. Durante a carência o participante pagaria 40% do valor original da parcela, preservando sua margem consignável e evitando sucessivos refinanciamentos.

O CredPlan é um dos principais temas de reclamações na Ouvidoria da Funcef. Cerca de 30% das demandas se referem aos empréstimos, especialmente a processos de renegociação com inadimplentes.

 





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