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Nas ruas pela soberania do povo brasileiro

04/10/17
Nas ruas pela soberania do povo brasileiro

 

Manifestação no Rio de Janeiro é resposta da sociedade ao pacote de privatizações do governo golpista

Os trabalhadores de empresas públicas e representantes sindicais e de entidades que defendem a soberania do Brasil, na luta contra as privatizações e a precarização de serviços, ocuparam ontem, 3, as ruas centrais do Rio de Janeiro, numa grande manifestação que prosseguiu durante todo o dia e terminou com a presença do ex-presidente Lula. Convocado pela Federação Única dos Petroleiros (FUP), Frente Brasil Popular, CUT e o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), com o apoio e participação do Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas, o ato teve início em frente ao prédio da Eletrobras e seguiu até o da Petrobras, que completava 64 anos de existência, parando ainda na sede do BNDES. Todas essas e muitas outras estatais brasileiras estão sob ameaça de desmonte e venda pelo atual governo golpista.
 
“Foi um grande ato: marcante, animador e pacífico. Com certeza todos os que lá estiveram saíram esperançosos de que, com união, conseguiremos vencer essa batalha”, afirma a coordenadora do Comitê e representante dos empregados da Caixa no Conselho de Administração, Rita Serrano. Entre as categorias presentes estavam os petroleiros, bancários, urbanitários (Cedae, Eletrobras, Eletronorte), moedeiros (Casa da Moeda), ecetistas (Correios) e representantes de movimentos como Cristianismo e Transformação Social, Levante da Juventude e o MAB, cujos integrantes estão reunidos no Rio para realização de seu 8º encontro. A manifestação é uma resposta ao recente pacote de privatizações anunciado pelo governo federal, que inclui 57 bens estatais nos setores energético, petrolífero, transportes (rodovias, portos, aeroportos), bancos (Caixa, BNDES, Banco do Brasil, entre outros), Correios, Casa da Moeda, e o corte de investimento em áreas essenciais, como saúde, educação e a pesquisa científica, por exemplo.

Além do protesto, o ato teve como proposta levar essa informação à sociedade, ressaltando o importante papel das empresas públicas, responsáveis diretas pelo desenvolvimento do País. Um caso exemplar é a Petrobras, cujos imensos recursos do pré-sal poderiam ser utilizados em prol da sociedade, mas igualmente irão para o balcão de negócios montado pelo governo federal. Outro, a Eletrobras, que opera mais de 200 usinas de geração de energia, incluindo Furnas, duas termoelétricas e seis distribuidoras, responsáveis por mais de 60 mil quilômetros de linhas de transmissão, o que representa metade do total produzido no País. E ainda os bancos públicos que, como a Caixa, estão à frente de programas sociais que tornam acessível o crédito aos brasileiros de menor renda, via Minha Casa Minha Vida e Bolsa Família, apenas para citar duas iniciativas exitosas que podem ter seu alcance reduzido ou mesmo encerrado.

“É o momento de discutir que precisamos revogar as medidas do governo golpista. Fico muito feliz que o presidente Lula tenha colocado no discurso dele uma proposta da Frente Brasil Popular e da frente Povo Sem Medo, que é, se eleito, imediatamente fazer um referendo revogatório de todas as medidas do governo golpista. Esse é o nosso recado, continuar enfrentando, não permitir que eles impeçam a candidatura do ex-presidente Lula, a eleição sem Lula é fraude”, afirmou o presidente da CUT, Vagner Freitas. No discurso, Lula também destacou que “falar de soberania é não dever nada ao FMI. É fazer a briga que fizemos para que o Brasil fizesse parte do Conselho de Segurança da ONU(...) Não é possível abdicar da indústria naval, da Eletrobras, do BNDES, da Casa da Moeda... Essa gente está vendendo tudo porque não tem competência”.

Riqueza das estatais – Nesta quarta, 4, um dia após a manifestação, o jornal Valor Econômico publicou que as estatais brasileiras apresentaram um crescimento de 35,8% em seu lucro no primeiro semestre deste ano, se comparado com o anterior. As principais estatais federais registraram lucro líquido de R$ 18,1 bilhões no período. O desempenho desmente a argumentação do governo de que são deficitárias e precisam de reestruturações para ajustes.

“Ao promover o desmonte nessas empresas o governo lesa os trabalhadores das estatais e toda a sociedade. Há demissões e perda de direitos e consequente piora no atendimento aos cidadãos. Além disso, como são setores estratégicos, o País perde sua soberania. As decisões dos compradores não levarão em conta o povo brasileiro, mas quanto lucro o negócio vai gerar”, aponta a coordenadora do Comitê. Ela destaca que muitas outras iniciativas estão em andamento para defender empresas e serviços públicos no País, tais como as audiências públicas que vêm sendo realizadas desde o início de setembro (confira no anexo a agenda de audiências sobre os bancos públicos).

Fonte: Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas.





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